| 15/02/2005 O diretor-presidente da Organização Internacional da Café (OIC), Néstor Osorio, afirmou hoje que a expectativa é de que os preços do café no mercado mundial continuem em alta. "O mercado deve manter a firmeza de preços, mas a alta não será grande", avaliou. Para a safra 2005/06, a produção mundial de café será de sete a oito milhões de sacas inferior ao consumo.
A produção mundial foi estimada em 107 milhões de sacas de 60 quilos para a safra 2005/06, abaixo do consumo de 114 milhões de sacas, informou a OIC. Ele disse que os estoques de café na safra somarão 21 milhões de sacas, sendo que, desse total, 17 milhões de sacas estarão nas mãos dos produtores.
Durante seminário hoje no Itamaraty, ele defendeu o mercado livre de café. "No cenário atual, não há lugar para uma intervenção direta", afirmou, citando as cotas para exportação e retenções como políticas intervencionistas. Para Osorio, a saída para evitar oscilações bruscas de preços está no estímulo ao consumo de café. Ele citou que o consumo anual no Brasil cresceu, nos últimos sete anos, de 8 para 15 milhões de sacas.
Outra alternativa é a abertura de novos mercados, comentou. Ele citou Rússia e China como potenciais compradores de café. Em relação ao mercado chinês, ele fez um alerta aos países produtores. "Não há que ter ilusão falsa de que todos os chineses vão tomar café", comentou.
Ainda em relação à China, ele informou que o ideal é estimular o consumo em pequenas cidades de até 200 mil habitantes. "É mais fácil vender para 200 mil do que para um milhão de chineses", comentou. Ele defendeu o fim dos subsídios agrícolas. "Com a redução dos subsídios criam-se novas oportunidades aos agricultores, que poderão cultivar outras culturas", comentou.
O Brasil é o maior exportador mundial de café verde, com 26 milhões de sacas e receita cambial de US$ 2 bilhões. O País é o segundo maior consumidor mundial do produto, atrás apenas dos Estados Unidos. (Fabíola Salvador, AE)
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